Processo
Entrar cedo: porque é que a sala se decide antes das plantas fecharem
Outubro de 20256 min
Trabalhamos com arquitetos, decoradores e construtores, e o momento em que entramos no processo determina metade do resultado. Entrar cedo custa uma reunião. Entrar tarde custa obra aberta.
O que se pede ao projeto de arquitetura
Cotas interiores livres, altura estrutural disponível, tipo de laje, localização de prumadas e uma ideia de onde entra a ventilação. Com isto conseguimos dizer, ainda em desenho, que sala é possível naquele espaço, que ecrã cabe, quantas filas e que nível de isolamento é realista. É uma conversa de uma hora que evita três semanas de correção.
Pré-instalação: a parte invisível que salva o resto
Antes de rebocar, deixamos definidas as caixas, os tubos, os pontos de alimentação, os apoios do teto suspenso e a reserva para a tela. Nada disto é caro nesta fase. Tudo isto é caro depois: cada caminho esquecido vira roço numa parede acabada ou uma calha à vista numa sala onde tudo o resto foi pensado para não se ver.

Quem decide o quê
A arquitetura decide a caixa. Nós decidimos o comportamento acústico dentro dela e o que é preciso para o garantir. O decorador decide as superfícies, com uma lista curta do que pode e do que não pode em cada parede. Quando estas três decisões são tomadas na mesma mesa, ninguém tem de desfazer o trabalho de ninguém.
O fim: medir, calibrar, documentar, ficar
A sala entrega-se medida e calibrada, com relatório e com formação de utilização para quem lá vive. Depois disso ficamos disponíveis: uma sala é um sistema, e os sistemas pedem afinação quando muda o mobiliário, quando entra uma fonte nova ou quando o filho da casa descobre o modo de jogo.
A sala decide-se em desenho e confirma-se em obra. Uma reunião antes de as plantas fecharem vale mais do que qualquer decisão de equipamento tomada depois.


